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Entrevista com Carol Dragonfly, sétima participante do Projeto Dois e Meio Convida

abr/21


Carol é seu segundo nome. Nascida e criada na zona leste de São Paulo, começou nos anos 2000 seu contato visual e experimental com a pixação e com a tag. Tem observado e absorvido a escrita da metrópole como uma terapia. O início de suas atividades como “escritora” se deu em 2012 e desde então vem descobrindo e aprendendo novas técnicas e maneiras de usar a comunicação com as cores e formas das letras.


imagem: arquivo Carol Dragonfly

Dois e Meio As expressões artísticas que tem a rua como suporte são bem diferentes entre si. Você se identifica com alguma delas? Carol Me identifico com o graffiti, com a dança, com a música, que sempre estiveram presentes na minha vida em centenas de formatos diferentes, levo todas comigo com muita força, mas acabei me dedicando mesmo ao graffiti.

Dois e Meio Você enxerga o Graffiti como profissão? Carol Eu enxergo o Graffiti como subversão, vandalismo e e até de perversão da arte num passado obsoleto, porém é possível considerar sim uma profissão, gostaria que fosse a minha e inclusive tenho estudado pra isso rs

Dois e Meio A rua é um ambiente hostil, o risco aumenta mais ainda quando se é mulher. Quais dificuldades você encontra para conseguir seu espaço? Carol Sobre ser mulher e estar na rua o que pega é na real essa dificuldade pra mim nunca existiu, sempre fui uma mulher que pensa que não há nada que um homem faça que eu não possa fazer, sempre me coloquei como igual, e nunca no lugar de frágil, e nunca tive medo de ir pra rua, porém um dia apanhei e fui brutalmente hostilizada por um grupo de 4 homens armados que me agrediram e quase me mataram. Depois desse dia eu comecei a pensar que não adianta, o mundo é desigual e opressor com as minas, isso me criou um medo, um receio no qual eu ainda carrego, a dificuldade de conseguir um espaço está intrínseco a própria estrutura da sociedade. Mas na contramão disso sou muito feliz por saber que de alguma forma meu role tem sido referencia pra algumas mulheres, o caminho é lento me sinto parte de quem abre a mata no facão pra outras chegarem. Há muito mato pra cortar, mas hoje as ferramentas estão cada vez mais afiadas.


imagem: arquivo Carol Dragonfly

Dois e Meio Quais xs principais artistas que você tem como referência? Carol Minhas referências vem de tudo o que vejo nas ruas de São Paulo, é foda citar um ou mais artistas, hoje em dia tudo é referência pra mim e elas mudam constantemente. Mas pra citar alguns nomes minhas inspirações no Graffiti hoje, é a turma da OTM Crew, Salmos, Revok, Laia e pra sempre Dondi. Dondi é inspiração atemporal rs.

Dois e Meio Quais caminhos você segue para se manter financeiramente durante a quarentena?Durante a pandemia minha fonte de renda foi trabalhar com vendas online de roupas e acessórios vintage, eu tinha um emprego formal numa livraria que acabei me afastando no início da pandemia, depois voltei e logo foi decretado lockdown acarretando minha saída da empresa. Recebi o auxílio do governo e desde então tenho tentado rentabilizar minha o que eu amo, que é o graffiti. Dois e Meio Você conhece o processo de impressão Fine Art? Já tinha impresso uma arte sua nesse ou em outro formato de impressão? Carol Sou extremamente leiga em processos de impressão Fine Art ou qualquer outro tipo de impressão de arte e ou fotografia. Ano passado fiz uma impressão de um desenho A3.


Arte desenvolvida para o projeto Dois e Meio Convida. Imagem: Ateliê Dois e Meio

Dois e Meio Fale um pouco sobre a arte que desenvolveu para o Dois e Meio Convida Carol Primeiro deixar aqui minha imensa gratidão pelo convite, e pelo espaço. A criação do print foi algo muito espontâneo e sobretudo muito orgânico, tive mil ideias, e decidi usar a mais simples, porém a mais diferente que fiz. Quis realçar o elemento mais importante do que faço que é a letra em si, a cor amarela é a cor que me traduz nessa fase maluca e sem precedentes. É notável que a oportunidade poderia ser usada para refletir ou representar o momento atual, sombrio e sangrento, mas a minha razão, a minha tradição e a minha espiritualidade me dizem somente uma coisa: Colorir, como der, onde der, pôr cor. E agradecer pois temos a chance, a sorte e a honra de viver num mundo com tantxs artistas brilhantes, com tantas cores, com tantas dimensões e com tantos universos. A experiência de criar essa arte me trouxe muitas reflexões e muita coragem pra acreditar em mim mesma! Agradeço muito por isso.

Obrigada mais uma vez pelo espaço! Seguimos juntos e fortes na luta.


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Nós que agradecemos, Carol!

Obrigada por compartilhar conosco um pouco do seu universo de trabalho.

Conheça mais do trabalho de Carol em @caroldragonfly





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