Frente e Verso: Brunna Mancuso
- ateliedoisemeio

- 23 de fev.
- 5 min de leitura
FRENTE E VERSO é uma série de entrevistas que explora o percurso criativo de artistas de diversas linguagens. A cada episódio, um artista compartilha um pouco da sua trajetória, suas inspirações e os desafios que surgem no caminho. Cores, técnicas e ideias se encontram no papel, revelando histórias de quem cria, transforma e imprime.

BRUNNA MANCUSO é artista e ilustradora de São Paulo.
Atua há mais de uma década como designer gráfico em estúdios de design, gráficas e editoras. Em 2017 começa a trabalhar de forma autônoma, produzindo ilustrações comerciais para marcas e dedicando bastante tempo às pinturas autorais. Ao longo de 20 anos, além das pinturas e ilustrações, se aventurou em diversas mídias, como cerâmica, bordado, fotografia, tatuagem, gravura em metal, entre outras, mas é com a pintura que mais se identifica.
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DOIS E MEIO Qual a sua lembrança mais antiga de contato com a arte? E quando percebeu que gostaria de ser artista?
BRUNNA MANCUSO Quando eu era criança, passava boa parte do tempo assistindo desenhos como Art Attack ou então programas como da Eliana, que tinha quadros de artesanato (fazer bonecos com embalagem de Danoninho e coisas do tipo). Além disso, eu amava os tinha os almanacões da Turma da Mônica e os livros de colorir. Minha mãe sempre incentivou muito a leitura e essas atividades, apesar dela mesma não fazer atividades artísticas… mas isso formou quem eu sou hoje, uma pessoa curiosa e com vários hobbies manuais.
DOIS E MEIO Neste momento da sua carreira, qual considera a melhor parte da sua rotina de artista? E a pior parte?
BRUNNA MANCUSO Eu gosto tanto do lado empreendedor quanto do lado artístico do que eu faço. Amo pintar, mas também gosto muito de administrar meu negócio. Claro que não na mesma proporção, mas eu gosto. Também gosto de criar conteúdo e divulgar meu trabalho pro mundo inteiro, mas não gosto da pressão que é criar conteúdo no volume que é necessário hoje em dia. Porém a parte que eu não gosto não tem muito a ver com o negócio, mas sim com a vida pessoal. Sou uma nova mãe (tenho um bebê de 7 meses) e, apesar de amar muito ser mãe, não gosto de não ter tempo pra cuidar da minha vida profissional como eu tinha antes… eu sempre trabalhei muito, e está sendo desafiador desacelerar. Como não quero colocar ele em creche por enquanto, tenho que lidar com essa nova realidade e ter paciência, que com o tempo vou voltar a me dedicar ao meu negócio como antes.

DOIS E MEIO Qual a sua relação com as redes sociais? A criação de conteúdo em meio a tantas tarefas do ofício de artista independente, os haters, etc.
BRUNNA MANCUSO Eu não tenho haters. Nunca tive. Acredito que meu trabalho é democrático a ponto de não incomodar ninguém, hehe. Acredito que podemos nos inspirar por coisas bonitas e meu papel no mundo é trazer mais beleza e delicadeza pras pessoas. Acho que pessoas mais introvertidas e que gostam de atividades mais solitárias são as que se identificam mais com minhas pinturas, mas as redes sociais possibilitam a divulgação e a conexão como nunca antes.
Como comentei, não gosto da pressão de produzir conteúdo na velocidade e intensidade como as coisas precisam ser hoje, mas eu cresci e devo muito da minha profissão hoje em dia ao Instagram.
DOIS E MEIO Depois que um artista ganha certa visibilidade no contexto das redes sociais, as pessoas imaginam que a pessoa está sempre no auge, em atividade. Qual foi o maior contraste que já viveu entre a percepção pública e sua realidade financeira ou emocional?
BRUNNA MANCUSO Não existe isso de estar sempre no auge. A gente muda, nosso trabalho muda. Eu passei por várias fases nos últimos anos e, desde a pandemia, me senti perdida na minha produção diversas vezes! Porém, com certa insistência e também uma certa dose de autoconhecimento e perseverança, hoje me sinto mais conectada e feliz com minha produção. Isso faz com que eu produza mais, compartilhe mais meu trabalho, mais gente me conheça e assim a roda gira. Não digo que estive sempre no auge, mas não posso reclamar também. Consigo me manter financeiramente com meu trabalho como artista no Brasil e isso por si só já é muita coisa! Sempre dá pra ser melhor, mas reconheço meus privilégios também.
Boa parte dessa autonomia vem da minha visão não só como artista, mas como empresária também… eu tenho que sempre estar me reinventando com arte nova, produtos novos, lançamentos, promoções, etc… é um negócio como qualquer outro, mas com a característica de ser um negócio a partir da minha criatividade.

DOIS E MEIO Em “Cartas a um Jovem Poeta”, Rainer Maria Rilke coloca: “Confesse para si mesmo se o senhor morreria se o impedissem de escrever. E, principalmente, pergunte-se na hora mais silenciosa da noite: eu preciso escrever?” Você sente que precisa estar em contato com a arte? Deixar de fazer isso o levaria a perder sentido na vida?
BRUNNA MANCUSO Penso sempre nisso. Sou artista há 20 anos e me vejo velhinha na frente de um cavalete… MAS eu também acho que existe vida além do pincel. Sou apaixonada por pintura o suficiente pra saber que, mesmo se eu arrumasse um emprego de qualquer outra coisa, continuaria pintando. Às vezes chego a pensar que seria inclusive mais simples, hehe. Porém não sei o que faria se fosse pra escolher qualquer outra profissão, sinceramente…
Resumindo: eu não preciso ter essa profissão pra ser feliz, mas se eu não pudesse mais SER ARTISTA por qualquer motivo, ai sim, perderia o sentido pra mim.
DOIS E MEIO Temos a honra de imprimir suas obra aqui no Ateliê Dois e Meio. Quais são seus principais critérios na escolha das imagens que serão impressas?
BRUNNA MANCUSO Ai, obrigada gente! <3 A primeira coisa que levo em consideração ao decidir quais vão virar fine art é meu nível de satisfação ao terminar a pintura. Se foi uma que fiquei apaixonada com o resultado, ela logo vai pra loja, mesmo que não tenha rolado um interesse geral por ela. Tem algumas que eu amo, mas vendem pouco, mas eu faço questão de colocar na loja mesmo assim.
Mas a segunda coisa que levo em consideração com certeza é a procura! Tem obras que são fora da curva e vendem muito, então elas ganham destaque na loja, sim. :)

Artes de Brunna Mancuso impressas na Dois e Meio: Divulgação

Arte de Brunna Mancuso: Divulgação
DOIS E MEIO Quais foram as suas maiores referências de arte na infância? Essas referências ainda perduram?
BRUNNA MANCUSO Foram aquelas que mencionei na primeira pergunta.. turma da Mônica e livrinhos de pintura foram meu primeiro contato com arte. Claro que moldaram minha personalidade, mas não exatamente perduram em relação a estética.
DOIS E MEIO Qual o momento mais emocionante da sua carreira? Algo que te motiva a continuar com o trabalho na arte.
BRUNNA MANCUSO Com certeza o meu trabalho fazendo ilustrações para capa de livro tem um lugar muito especial no meu coração! Toda vez que tenho oportunidade de produzir uma capa, vê-la nas prateleiras das livrarias, fazem meu coração bater mais rápido! Uma menção à um projeto especial tem sido as capas da Valerie Perrin, que a editora Intrínseca vem lançando os títulos aqui no Brasil, todos com minhas ilustrações. Virou um projeto bem especial pra mim.

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Acompanhe o trabalho da artista Brunna Mancuso:




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