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Frente e Verso: Victor Octaviano

  • Foto do escritor: ateliedoisemeio
    ateliedoisemeio
  • 3 de fev.
  • 5 min de leitura

Atualizado: 4 de fev.

FRENTE E VERSO é uma série de entrevistas que explora o percurso criativo de artistas de diversas linguagens. A cada episódio, um artista compartilha um pouco da sua trajetória, suas inspirações e os desafios que surgem no caminho. Cores, técnicas e ideias se encontram no papel, revelando histórias de quem cria, transforma e imprime.


A trajetória de VICTOR OCTAVIANO na arte não nasceu de um plano de carreira, mas de uma necessidade profunda de liberdade e expressão. A arte sempre esteve presente antes mesmo de se tornar profissão,  como forma de existir e compreender o mundo. Seu trabalho busca criar imagens que ultrapassem sua intenção inicial e encontrem novos significados em quem as vê, priorizando narrativa, emoção e verdade. Mais do que produzir, Victor escolhe seguir um caminho coerente com aquilo em que acredita, onde a arte permanece como espaço de presença e liberdade.



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DOIS E MEIO Como chegou à aquarela e à tatuagem? O que acha que essas linguagens dizem sobre você?

VICTOR OCTAVIANO A tatuagem e a aquarela chegaram por acaso na minha vida, em momentos diferentes, mas ambas de forma inesperada. Não era algo que eu estava buscando conscientemente. No fundo, o que eu sempre busquei foi liberdade para ser quem eu sou e viver da maneira em que acredito. E é justamente isso que acho que essas linguagens dizem sobre mim: a rebeldia e a autenticidade da tatuagem, junto com a fluidez e a humanidade da aquarela. São características que busco manter sempre vivas em mim.



DOIS E MEIO Neste momento da sua carreira, qual considera a melhor parte da sua rotina de artista? E a pior parte?

VICTOR OCTAVIANO Definitivamente, a melhor parte é a liberdade criativa e poder viver do que eu amo: produzir e viver daquilo  que acredito. A parte mais difícil não diria a pior, mas a mais desafiadora  é justamente saber me posicionar e vender o meu trabalho. Lidar com redes sociais, com demanda, com ansiedade. Entender como encontrar pessoas que se identifiquem com o que eu faço, para que eu possa continuar produzindo, cada vez com mais liberdade.


DOIS E MEIO Qual a sua relação com as redes sociais? A criação de conteúdo em meio a tantas tarefas do ofício de artista independente, os haters, etc.

VICTOR OCTAVIANO Minha relação com as redes sociais é de amor e ódio. Por meio delas, consigo alcançar mais pessoas, conhecer outros artistas e conversar com gente que está, às vezes, do outro lado do mundo. Ao mesmo tempo, existe uma pressão constante para manter a chama acesa, como se, ao não publicar, você fosse esquecido.

Procuro não me tornar um escravo do algoritmo. Tento me posicionar, mostrar quem eu sou e como penso, para que as pessoas não me enxerguem como um produto, mas como um artista. Em relação aos haters, já houve críticas. Quando são construtivas, mesmo que doam, são bem-vindas. Quando são apenas opiniões vazias, eu simplesmente não ligo.



Foto de Victor Octaviano: Divulgação



DOIS E MEIO Depois que um artista ganha certa visibilidade no contexto das redes sociais, as pessoas imaginam que a pessoa está sempre no auge, em atividade. Qual foi o maior contraste que já viveu entre a percepção pública e sua realidade financeira ou emocional?

VICTOR OCTAVIANO As redes sociais mostram apenas um recorte editado da vida. Eu não exponho muito minha vida pessoal, embora meu trabalho fale bastante sobre ela. Muitas vezes eu estava passando por momentos difíceis — término de relacionamento, dificuldades financeiras, familiares doentes, depressão, crises de ansiedade — e isso não aparecia.

O maior contraste foi em um momento em que, externamente, parecia que eu estava no auge: cerca de dois anos de agenda de tatuagem fechada, muitos clientes e propostas. Porém internamente, foi um dos piores momentos da minha vida. Eu estava esgotado, me sentindo preso, vivendo algo muito próximo de um burnout, mesmo assim sentia culpa por não estar feliz com tudo aquilo. Foi ai então que fechei a agenda, cancelei trabalhos e precisei de mais de um ano para realinhar minha vida com aquilo em que eu realmente acreditava.


DOIS E MEIO Em “Cartas a um Jovem Poeta”, Rainer Maria Rilke coloca: “Confesse para si mesmo se o senhor morreria se o impedissem de escrever. E, principalmente, pergunte-se na hora mais silenciosa da noite: eu preciso escrever?” Você sente que precisa estar em contato com a arte? Deixar de fazer isso o levaria a perder sentido na vida?

VICTOR OCTAVIANO Com certeza. Ser Artista veio muito antes da profissão artista na minha vida. Eu desenhava no fundo da classe na escola, em casa no meio das brigas e todo aquele caos, e até no meu trabalho anterior eu levava um caderno para desenhar. Quando ninguém acreditava, quando nem eu mesmo acreditava que isso poderia virar sustento, eu já desenhava.

Viver de arte é consequência de uma necessidade interna muito maior. Tenho o privilégio de viver disso, mas, mesmo que precisasse fazer outra coisa para me sustentar, a arte continuaria fazendo parte da minha vida, mesmo quando ninguém estivesse olhando.


DOIS E MEIO Temos a honra de imprimir suas obra aqui no Ateliê Dois e Meio. Quais são seus principais critérios na escolha das imagens que serão impressas?

VICTOR OCTAVIANO Já faz alguns anos que realizo impressões com vocês. Uma das obras mais importantes para mim é O menino com o hipopótamo. Apesar de simples, ela fala sobre carregar o peso de viver um sonho, algo que nem sempre é leve. Essa obra me ajudou a seguir em frente em um momento em que eu estava quase desistindo.

De forma geral, escolho imagens que ressoam nas pessoas. Quando percebo que a obra ultrapassa o que eu quis dizer inicialmente e ganha novos significados em quem vê, sinto que ela está pronta para ser impressa e compartilhada.


"O Menino com o Hipopótamo"

Arte de Victor Octaviano: Divulgação

DOIS E MEIO Quais foram as suas maiores referências de arte na infância? Essas referências ainda perduram?

VICTOR OCTAVIANO Minhas primeiras referências foram meus irmãos mais velhos. Eles desenhavam e eu copiava, de forma inocente. Depois, comecei a desenhar muito Os Cavaleiros do Zodíaco, e ali desenvolvi uma base mais sólida de desenho, copiando armaduras, poses e movimentos. Como eu não tinha contato com museus ou arte institucional, o que chegava até mim eram os desenhos animados: Disney e animações da televisão. Essas referências iniciais continuam presentes até hoje, especialmente na forma como me interessei pela imagem e pela narrativa visual.


DOIS E MEIO Qual o momento mais emocionante da sua carreira? Algo que te motiva a continuar com o trabalho na arte.

VICTOR OCTAVIANO Em 2014, fiz uma exposição na Galeria Oma, em São Bernardo do Campo. Durante a exposição, duas senhoras entraram, sem saber quem eu era ou que eu estava ali. Eu as ouvi comentando de forma muito sincera que não gostaram de uma obra, mas diante de outra uma delas disse: “Esse aqui me tocou. Eu nem sei dizer por quê, mas parece que tem alma.” Aquilo me marcou profundamente, porque era uma reação genuína, sem filtro. Saber que alguém que não me conhecia se emocionou com algo que eu fiz me mostrou que eu estava no caminho certo e é isso que até hoje me motiva a continuar.


Arte de Victor Octaviano: Divulgação



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Acompanhe o trabalho da artista Victor Octaviano:



 
 
 

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