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Frente e Verso: Victor Seroque "Contra"

  • Foto do escritor: ateliedoisemeio
    ateliedoisemeio
  • 6 de ago.
  • 4 min de leitura
FRENTE E VERSO é uma série de entrevistas que explora o percurso criativo de artistas de diversas linguagens. A cada episódio, um artista compartilha um pouco da sua trajetória, suas inspirações e os desafios que surgem no caminho.

Fotografia: Giovanny Galtier @giogaltier

VICTOR SEROQUE “Contra”, tem 28 anos, é artista visual e curador. Graduado em Artes Visuais pela FMU, cria entre o tradicional e o digital, com fortes influências do maneirismo italiano, do gravurismo tradicional e do grapixo, unindo essas referências através de diferentes técnicas e mídias. Busca sintetizar uma estética que traduza esses diferentes períodos da produção de arte sob uma perspectiva única, executada de diferentes formas.



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DOIS E MEIO Como foi seu primeiro trabalho artístico? A este ponto, você já se imaginava trabalhando com isso futuramente?

VICTOR Tive algumas experiências com ilustração na adolescência, mas só aos 18 senti que comecei a criar algo mais próprio e ter uma identidade visual mais particular. Já me imaginava trabalhando com isso, mas sempre de uma forma abstrata, sem nada palpável que me mostrasse que isso era possível ou viável, até eu construir repertório e experiências suficientes pra viabilizar. Sinto que ainda tô nesse processo.

DOIS E MEIO Neste momento da sua carreira, qual considera a melhor parte da sua rotina de artista? E a pior parte?

VICTOR A melhor parte sempre são as trocas e devolutivas que recebo de quem consome meu trabalho, ter essa afirmação de ser associado às minhas obras e referências me traz a segurança de ter projetado uma identidade sólida, mesmo criando coisas bem diferentes entre si. A pior é atualmente não dispor dos recursos que gostaria para produzir mais e levar minhas obras aos espaços que gostaria de ocupar.

Obra "Isolamento", 2020



DOIS E MEIO Qual é a sua relação com as redes sociais? A criação de conteúdo em meio a tantas tarefas do ofício de artista independente, os haters, as comparações, a pressão por visibilidade, entre outras coisas.

VICTOR Não me vejo sendo relevante o suficiente para lidar com uma pressão real vindo disso, acredito que é preciso ser mais autoconsciente do nosso lugar na cadeia, tocar a grama e pesar quais consequências realmente estão no mundo real. Lido com as minhas redes de forma bem fluida, invisto um tempo e uma grana nisso, mas não tira meu sono e tem pesado cada vez menos no meu processo de criação, em comparação à outros momentos onde minha produção praticamente girava em torno disso. Hoje vejo mais como uma ferramenta comercial.

DOIS E MEIO Depois que um artista ganha certa visibilidade no contexto das redes sociais, as pessoas imaginam que ele está sempre no auge, em atividade. Da mesma forma, a ausência nas redes dá a entender que o artista está parado. Qual foi o maior contraste que já viveu entre a percepção pública e sua realidade financeira ou emocional?

VICTOR Acredito que me desliguei muito da percepção pública, tenho dificuldade de dizer se existe esse contraste nessa visão externa, mas seguindo essa lógica provavelmente diria que agora seja o momento de maior contraste entre produção e presença digital, já que estou bem menos online e simultaneamente produzindo com muito mais segurança e estabilidade comparado à outros períodos. Não necessariamente estou produzindo mais quantidade, mas meu qualitativo aumentou bastante e minha confiança e liberdade nos meus processos também.

Obra "Clara e Salgada", 2026

DOIS E MEIO Em “Cartas a um Jovem Poeta”, Rainer Maria Rilke coloca: “Confesse para si mesmo se o senhor morreria se o impedissem de escrever. E, principalmente, pergunte-se, na hora mais silenciosa da noite: eu preciso escrever?” Você sente que precisa estar em contato com a arte? Deixar de fazer isso o levaria a perder o sentido da vida?

VICTOR O sentido da vida é muita coisa, tiraria com certeza um pouco da graça, mas a arte existe em função da vida e do que a gente presencia nela. Eu vejo como um estômago onde todas as nossas experiências são digeridas e o meio como as apresentamos de volta pro mundo. Com certeza algumas dessas experiências também vem da arte, mas são tantas outras fontes…



DOIS E MEIO Temos a honra de imprimir suas obras na Dois e Meio. Quais são seus principais critérios na escolha das imagens que serão impressas?

VICTOR Como uma parte significativa das coisas que crio são digitais, vejo o Fine Art como a melhor ferramenta de traduzir com fidelidade uma criação digital pro mundo real, em um objeto com textura, forma, profundidade, etc. Geralmente seleciono essas obras digitais e defino a quantidade de tiragens de acordo com o que sinto que a obra demanda. A equipe do ateliê ser formada por artistas ajuda muito no processo e impacta bastante nos critérios de qualidade.

Obra "Tauromaquia", 2026

Obra "Elle", 2020



DOIS E MEIO Quais foram as suas maiores referências de arte na infância? Essas referências ainda perduram?

VICTOR O Cartoon Network no início dos anos 2000 foi a maior referência da minha infância, nessa época eu reproduzia muito desenhos como KND e Samurai Jack, que tinham uma estilização bem forte do traço dos criadores. Acredito que isso ainda é muito influente nos meus maneirismos até hoje.


DOIS E MEIO Qual foi o momento mais emocionante da sua carreira? Algo que te motiva a continuar com o trabalho na arte.

VICTOR Não foi necessariamente um grande momento, mas um aglomerado de momentos de trocas, exposições, reconhecimentos, ser visto por pessoas que me influenciaram, me fazer ser melhor visto e entendido, tudo isso. O que mais me motiva é onde quero chegar com meu trabalho, os projetos que ainda estão adiante, minha individual, criar mais e em diferentes linguagens e mídias e estabelecer minha produção.




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Acompanhe o trabalho do artista Victor Seroque:



 
 
 

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