top of page

Frente e Verso: Pri Barbosa

  • Foto do escritor: ateliedoisemeio
    ateliedoisemeio
  • há 1 dia
  • 4 min de leitura
FRENTE E VERSO é uma série de entrevistas que explora o percurso criativo de artistas de diversas linguagens. A cada episódio, um artista compartilha um pouco da sua trajetória, suas inspirações e os desafios que surgem no caminho.

Priscila Barbosa, foto: Agência Ophelia

PRISCILA BARBOSA é artista visual, muralista e ilustradora paulistana. É graduada em Artes Visuais pela Belas Artes. Desenvolve um trabalho que investiga a iconografia da mulher revolucionária contemporânea com foco na América Latina, onde propõe percepções críticas sobre padrões estéticos e comportamentais vigentes, numa estratégia de enfrentamento e questionamento das relações de poder. Constrói cenas que têm o intuito de provocar o espectador através da oposição. Criando imagens que à primeira vista sugerem a docilidade esperada do gênero feminino, reforçadas pelos tons rosados e pela característica de sua produção, mas que revelam atividades de insurgência e rebeldia. 



...



DOIS E MEIO O muralismo é uma parte muito emblemática da sua carreira. Como foi seu primeiro trabalho como muralista? O que acha que essa linguagem diz sobre você?

PRI BARBOSA Meu primeiro trabalho foi um convite pra um festival e de imediato eu pensei em recusar, porque na época trabalhava quase que integralmente com ilustração digital. Mas com alguns empurrões dos amigos, decidi participar e foi aí que começou meu amor pela arte urbana, onde encontrei uma maneira de comunicar o que eu penso estando mais próxima do público.

DOIS E MEIO Neste momento da sua carreira, qual considera a melhor parte da sua rotina de artista? E a pior parte?

PRI BARBOSA A melhor parte, além de fazer o que eu amo, é a flexibilidade. Poder trabalhar de casa, alternando com projetos fora, permite que eu divida bem o meu tempo entre trabalho e vida pessoal. A pior parte é a inconstância, de projetos e de dinheiro, não tem nenhuma previsibilidade na área artistica e cultural.

DOIS E MEIO Qual a sua relação com as redes sociais? A criação de conteúdo em meio a tantas tarefas do ofício de artista independente, os haters, etc.

PRI BARBOSA Eu lido muito tranquilamente com as redes. Claro que existe uma pressão pra postar, mas acho que na verdade o mais difícil é encontrar maneiras de se expressar que também reflitam seu trabalho, pra não cair nessa repetição de conteúdos que a gente tanto vê. Também exige que a gente se atualize o tempo todo nessa área, o que pode ser bem cansativo, mas nada mais é do que um reflexo do tempo que estamos vivendo, em que tudo é rápido demais, e portanto também se esgota e muda com uma rapidez absurda. Eu tento ser fiel a mim mesma nesse processo.

Obra Exposta no Straat Museum, em Amsterdã. Arquivo da artista


DOIS E MEIO Depois que um artista ganha certa visibilidade no contexto das redes sociais, as pessoas imaginam que a pessoa está sempre no auge, em atividade. Qual foi o maior contraste que já viveu entre a percepção pública e sua realidade financeira ou emocional?

PRI BARBOSA Nossa, diversos! A verdade é que o público tem uma visão muito restrita do que é a vida de quem trabalha com arte. Eu tento sempre jogar a real, mas sem me expor demais também, porque acredito em manter algumas coisas privadas. Também não dá pra ficar se lamentando o tempo todo, porque vejo que tá todo mundo num perrengue, então é preciso falar das dificuldades, mas também lembrar de tudo o que eu já passei pra chegar até aqui e do tanto de gente que almeja ter uma carreira como a que eu tenho. Não tem mapa, não tem fórmula, até porque nem a gente desvendou nada disso. É dia após dia, mês após mês, batalhando não só pra conquistar mais coisas, mas pra manter o que já tá aqui.


Mural na Galícia, realizado a convite do Delas Fest na cidade de Santiago de Compostela. Arquivo da artista

DOIS E MEIO Em “Cartas a um Jovem Poeta”, Rainer Maria Rilke coloca: “Confesse para si mesmo se o senhor morreria se o impedissem de escrever. E, principalmente, pergunte-se na hora mais silenciosa da noite: eu preciso escrever?” Você sente que precisa estar em contato com a arte? Deixar de fazer isso o levaria a perder sentido na vida?

PRI BARBOSA Sinto que é meu estado natural questionar as coisas, fazer ligações, me comunicar. Me nutre estar sempre em contato com a arte, mas também penso que isso é ser humana, talvez não seja nada de especial. É que cada um encontra maneiras diversas de expressar isso, tem gente que passa o dia ouvindo música, tem gente que cria cacarecos... Vejo que todo mundo acaba expressando essa ligação e talvez a gente não veja porque temos uma maneira muito restrita de enxergar o que é arte e criatividade.



DOIS E MEIO Temos a honra de imprimir suas obras aqui no Ateliê Dois e Meio. Quais são seus principais critérios na escolha das imagens que serão impressas?

PRI BARBOSA Sou super chata com cores. Principalmente por ter uma paleta bem reduzida, cada contraste é pensado com muita atenção, então eu bato o olho e percebo quando tem algo errado. Gosto de trabalhar com vocês por isso, são muito detalhistas e, por também serem artistas, entendem nossa visão. 

Arquivo da artista


Obra da Série "Rememória"



DOIS E MEIO Quais foram as suas maiores referências de arte na infância? Essas referências ainda perduram?

PRI BARBOSA Eu fui uma criança enlouquecida por arte egípcia! Não sei de ontem tirei isso, mas comprava várias revistas, emoldurava posteres... Acho que perduram sim, continuo tendo muita curiosidade com culturas diferentes da nossa, outras visões de ver o mundo.


DOIS E MEIO Qual o momento mais emocionante da sua carreira? Algo que te motiva a continuar com o trabalho na arte.

PRI BARBOSA Difícil, porque sou uma pessoa naturalmente emocionada hahaha. Quando penso no meu trabalho eu só consigo sentir uma gratidão que parece que me invade por dentro. Mesmo com toda dificuldade, eu tô vivendo meu sonho. Quando eu imaginei que isso seria possível? Claro que as experiências incríveis contam, mas a real e que a cada conta que eu pago, com dinheiro fruto do meu próprio trabalho, é que eu sinto que vale a pena.





...



Acompanhe o trabalho da artista Pri Barbosa:



 
 
 

Comentários


© 2025 por Atelie Dois e Meio
CNPJ 26.794.674/0001-07

Rua Avai 380 - Mooca - São Paulo - SP

bottom of page